Resolvi mostrar aqui 30 segundos do novo curta que estou desenvolvendo. Essa semana escolhi o nome do personagem (é… ele não tinha nome ainda) e se chamará “Captain SilverSky”. Definitivamente contar estórias é o que me realiza e esse trabalho está me deixando muito feliz. Espero concluí-lo em breve.
I decided to show 30 seconds of my new short animated feature film “Captain SilverSky”. Definetly I am a storyteller and this is what makes me happy. I´m really enjoying this project and hope to complete it soon.
Há algum tempo atrás escrevi um post sobre a dinâmica curiosa da relação entre designers-clientes / prazos-qualidade. Infelizmente não sei onde esse post foi parar, mas a dinâmica é sempre a mesma e vale lembrar. Funciona assim:
1. O cliente te ligou? Então o prazo já acabou. Se houvesse prazo hábil para fazer o trabalho ele ainda estaria discutindo (mesmo que não houvesse o que ser discutido) e você provavelmente ainda não teria conhecimento sobre nada no job. Portanto, telefone tocou, pessa ao cliente para dispensar expressões como “o prazo é apertado”, “infelizmente estamos sem prazo”, “isso é urgente”. O fato é que se ele ligou para você, então o prazo já acabou e cabe a você agora apenas dizer “sim, eu aceito o trabalho e de imediato já estou me comprometendo a assumir que eu sou o culpado por todo o atraso”.
2. Você pediu dez dias de prazo? Certo. Na sua cabeça esse prazo começa amanhã de manhã, certo? Afinal são sete da noite, certo? Errado! Na cabeça do cliente esse prazo começa hoje de manhã mesmo que você só tenha recebido o trabalho agora, no início da noite. A culpa de não ser capaz de rebobinar (essa é velha) o tempo também é sua. Você conta o último dia de prazo como um dia de trabalho até o fim da tarde, certo? Errado, na cabeça do cliente as seis horas da manhã você já vai estar com o trabalho ponto em frente a empresa dele para lhe entregar o resultado, mesmo que a empresa só abra as nove da manhã.
3. Trabalho entregue, passamos ao próximo, certo? Errado! Trabalho entregue passamos às alterações, afinal já ouvi de um ser cliente que todo trabalho “precisa” ser alterado ao menos três vezes para ficar bom.
4. Lembra que o cliente havia dito que tinha dez dias para apresentar o trabalho e por isso você precisaria correr? Você descobrirá horas depois de entregá-lo que ele “conversou e conseguiu mais prazo para você fazer os ajustes necessários. Ou seja, na verdade ele poderia desde o início ter dito a você que teria quinze dias. Falou dez de sacanagem mesmo.
5. Você fez um monte de gambiarras pra entregar o trabalho em dez dias. O cliente acha que tá sendo “legal” ao te dar mais cinco, mas não percebe por não ter capacidade pra isso que agora você gastará um, talvez dois, não raro três dias desses novos cinco dias para consertar todas as gambiarras que você precisou fazer por conta da pressa dele, remendando aquela câmera que só funcionava naquele ângulo, aquela composição que só servia pra aquela resolução de video, aquele remendo que só funcionava com tal resolução de impressão ou aquela fotomontagem que é quase impossível de ser alterada por quê você não teve tempo de separar corretamente os layers dos projetos. No fim, você terá dois dias para fazer o trabalho que o energumino cliente acha que já era fácil fazer em cinco.
6. Entregou o trabalho novamente? Livre? Não! Caso você tenha sorte suficiente para o prazo não ser extendido para novas alterações (você o dirá que o orçamento também será aumentado para compensar o retrabalho?), poderá ainda descobrir que só agora ele passou o trabalho para quem realmente irá decidir, seja anunciante ou a esposa, pais e filhos dele (isso acontece com frequência). Cuidado, a partir de então tudo pode se repetir e não importa se o prazo passar por cima do seu cronograma para os próximos clientes.
7. Entregou o trabalho definitvo? Está livre? Cansado do cliente ligando para você de quinze em quinze minutos todos os dias, noites e até madrugadas? Então fique tranquilo. Ele provavelmente irá sumir de agora em diante. Você terá inclusive dificuldade de encontrá-lo quando procurar e assim será até que você consiga receber pelo trabalho. Ele ligou para você? Desencane! Nenhum cliente liga para dar feliz aniversário, perguntar como vai sua vida ou dizer “cara, você ainda não veio receber? Venha logo”. Se o contato partiu dele, com certeza aquele trabalho terá alterações, sempre para ontem, mesmo que a sua última versão tenha sido entregue meses atrás.
Há algumas semanas criei um personagem para um projeto que acabou sendo rejeitado. Bom, não pude resistir ao potencial do grande herói em questão e resolvi fazer um novo curta com ele. A idéia veio automaticamente e tudo está caminhando para um resultado muito engraçado. Espero que gostem desse primeiro teaser. É pouco, eu sei, mas levando em conta que comecei há duas semanas e estou dividindo o tempo com vários projetos profissionais, creio que em pouco tempo terei o curta finalizado
Cartoon Character Boxmodeling
Um rápida modelagem do personagem cartoon “Frei Chiquinho” do cartunista amazonense Elvis Carlos. O video é dividido em duas partes e toda a modelagem é feita por boxmodeling.
Modeling of Elvis Carlos´s cartoon character “Frei Chiquinho”. The video is divided in two parts and all the modeling process is made into boxmodeling technique.
Há algum tempo visitei um amigo cuja casa estava em obras. Ele dava algumas ordens aos pedreiros e eles prontamente atendiam, mas após a esposa dele retornar dos compromissos acabava alterando algumas delas, e ele prontamente a atendia repassando as ordens aos pedreiros, que prontamente o atendiam. Isso deve ter ocorrido ao longo de toda a obra, pois notei que alguns dias depois os tais pedreiros já se entreolhavam quando recebiam uma ordem, aguardando que a esposa chegasse com as ordens definitivas. Então, por se tratar de um amigo íntimo, em certo momento arrisquei perguntar “cara, por quê você não pergunta logo pra sua mulher o que é pra fazer hoje, de que jeito, etc.”, ao que ele respondeu “Não cara, quem manda aqui sou eu. Mulher não entende disso”. Neste mesmo dia vi mais duas negativas da esposa atendidas por ele. De fato, a obra saia como “ela” queria, uma vez que só não era alterado aquilo no qual ela concordava.
Em algumas áreas profissionais – incluindo as criativas de diversas mídias – a coisa funciona de forma semelhante. Sempre me pergunto quando atendo a um cliente: “Quem é que manda nessa casa?”. Vamos aos exemplos.
Há alguns anos eu estava a ponto de explodir, com muito mais trabalhos sob minha responsabilidade do que era humanamente aceitável. Ainda assim, virando noites e esquecendo o significado da palavra “vida” seria possível concluir os cronogramas em questão. Então, após entregar um trabalho fui chamado pelo cliente para uma reunião. Reunião após o trabalho ter sido concluído é sempre sinal de que algo muito fedorento ocorreu. Dito e feito! Embora como de costume tenha seguido o briefing a risca, o cliente “desgostou” de algumas coisas referentes ao visual do cenário que criei para o trabalho e queria me pedir para refazer o serviço. Obviamente eu não tinha tempo disponível para refazer nada já que já havia iniciado outro projeto e tinha mais uns três na orelha. Pior, retrabalho é sinal de prejuízo, o qual eu devo arcar quando o erro é meu, mas que se torna injusto se eu nada tiver feito de errado. Pra piorar ainda mais, a agência não havia mostrado nada para o cliente, o que me fez pensar “e seu eu refizer e em seguida o cliente dele pedir outras alterações?”. Então sugeri que mostrassem o trabalho antes para já sabermos TODAS as alterações que deveriam ser feitas. No caso se recusavam a mostrar, diziam que nada deveria passar para o cliente sem o crivo da agência, sem sua avaliação, pois era a identidade da agência que estava em jogo. Mesmo relevando o fato de que a identidade do “meu” trabalho nunca foi levada em conta por nenhum cliente (não teria eu também o direito de me negar a fazer isso ou aquilo que prejudicasse minha imagem profissional?) fui obrigado a bater o pé e dizer que não refaria nada sem a opinião definitiva do cliente final. Assim foi feito. Por ter endurecido perdi pra sempre o vínculo profissional com essa agência que nunca mais voltou a fazer nada comigo. O cliente final deles? Adorou o trabalho, aprovou tudo DE PRIMEIRA, sem alterações e de tão contente comprou espaço em um canal de TV por assinatura para exibir o comercial.
Algumas semanas atrás passei por uma experiência semelhante, mas invertida. Deveria criar um personagem para uma concessionária. A agência fez comigo um brainstorm e me deixou livre para criar o que quisesse. Quatro dias depois apresentei um manual com imagens do personagem (já em 3D) e defesa dos elementos contidos nele. Pra minha surpresa, a agência rejeitou completamente a idéia, o que é compreensível em certo ponto, mas eu não teria liberdade para criar? Uma coisa porém me deixou apreensivo: a agência não mostrara o trabalho para o cliente. Me deram então um sketch para ser seguido e atender as espectativas da agência, mas sem uma opinião do cliente, quem nos garantiria que seria o caminho certo? Lembrando da experiência de anos antes, tentando evitar ser duro e romper outra ligação profissional, cedi.
Mais três ou quatro dias se passaram e apresentei novo manual de design do personagem, dessa vez sendo fiel ao sketch sugerido pela agência. No dia seguinte por mensagem online recebi a notícia de que o personagem havia sido completamente aprovado “pela agência”, o que me tranquilizou em parte. Dois dias depois fui então convocado para uma reunião, e como todos sabem… “reunião após o trabalho ter sido concluído é sempre sinal de que algo muito fedorento ocorreu”.
Então veio a notícia: O cliente “rejeitou” o personagem, inclusive alegando que aquilo não era nada semelhante com o que ele tinha em mente. Então a agência a partir daí me repassou uma imagem de um outro personagem criado por uma importante produtora carioca de animações dizendo “é isso! ele quer por ai! Mais caricato”. Bom, plágio não é algo que eu faça conscientemente e “mais caricato” não é um termo que me direcione e me deixe seguro em um trabalho que já foi rejeitado duas vezes. Fui obrigado a tomar algumas medidas e, creio, este trabalho subiu no telhado.
Penso assim:
Se a agência chama para si a responsabilidade de toda a aprovação do que for feito, então ela assume que ela tem a permissão do cliente para agir e que este aceitará o que ela lhe proporcionar. Agências que agem assim constróem uma “identidade”. No caso de uma eventual contrariedade do cliente a agência deve interpretar como erro dela, de comunicação, de criação, do que seja, e responsabilizar-se por eventuais prejuízos.
Por outro lado, se a agência não tem autonomia para ter a palavra final sobre um projeto e colocá-lo nas mídias da forma como conceber, sendo portanto apenas um canal de ligação entre o desenvolvedor e o cliente, não deve se opor ou dificultar essa comunicação entre estas partes, criando obstáculos, ruídos e exigências meramente vaidosas que não serão pesadas na decisão dos seus clientes.
Percebam que em qualquer área profissional é sempre muito difícil trabalhar quando você não sabe quem é que manda em casa.
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Hoje li uma coisa interessante no Twitter. Um dos twitteiros escreveu algo como “Segui muita gente esperando encontrar informações sobre Design.Se arrependimento matasse… Só falam abobrinha”
Bom, se foi você quem escreveu, não se preocupe. Não estou lhe criticando nem lhe “respondendo” pela mensagem. Na verdade até entendo e parcialmente concordo, pois foi essa minha primeira impressão também. Mas a mensagem me despertou a vontade de expôr um certo pensamento.
Claro que todos queremos evoluir e é ótimo buscar o contato com profissionais que nos inspiram. Você tem os seus, eu tenhos os meus, todos temos os nossos. Mas será que receber links com tutoriais, artigos, entrevistas e novidades é a única, ou mesmo a melhor forma de informação?
Vejamos assim: Eu tenho centenas de contatos no MSN, boa parte deles são profissionais que adimiro, como posso extrair informações úteis desses caras para mim? Na verdade não posso, ao menos não em grande escala. Se você tentar encher esses caras de perguntas bobas você provavelmente acabará bloqueado. Ou seja, ao menos que você tenha um real motivo profissional para chamar a atenção, as chances de você conseguir boas respostas deles se torna pequena. Eu mesmo já puxei assunto com alguns vez ou outra, mas sempre com aquele cuidado de entender que a conversa não deve se extender ou você passará de contato eventual à chato permanente. A maior parte deles possuem blogs ou sites com portfólio onde você consegue coletar boas informações e até um breve histórico de vida sobre eles.
Então surge o twitter! Quando criei minha conta, tratei de procurar boa parte dos caras que são verdadeiros “papas” profissionais pra mim. Curiosamente, percebi que eles não usam o twitter para falar permanentemente sobre trabalho, métodos e técnicas, tendências, remuneração, etc etc etc. Você poderá se chocar, mas acredite, eles falam como se possuíssem uma vida além do trabalho, acredita nisso? Absurdo não? Pois pelo menos dois dos caras que tenho como ídolos até hoje “twittam” sobre piadas, palavrões, filmes, videogames preferidos, frivolidades, e vez por outra e até raramente… sobre… trabalho.
Não demorou para eu perceber que ferramenta maravilhosa de informação eu tenho em mãos. Você não gostaria de ser uma mosquinha voando no meio de uns gênios para ver do que eles falam? Pois isso é o twitter! Você pode saber qual a rotina daquele gênio que você adimira sem precisar perguntá-lo. Bastam alguns dias pra você perceber que tipo de humor ele tem, que tipo de rotina ele vive, que tipo de “referências” ele busca. Se o carinha posta um monte de videos no youtube sobre gente caindo, estilo “videocassetada”, isso é uma porcaria? Ou será que você extrai daí o quanto de referências ele pega sobre humor e movimento naquele momento? Se o cara conta sobre os seriados preferidos dele, os melhores filmes que viu na semana ou a luta de vale tudo na TV, não é ótimo perceber que esse cara tira uma “folga” do trabalho e mesmo assim continua genial? Talvez então a sua “estafa mental” por buscar informações esteja lhe atrapalhando. Tire folga também como ele, copie seus passos.
Um dos caras que sigo é “@msouza3d”, twitter de Marcelo Souza, um dos mais experientes e completos profissionais 3D brasileiros. Se eu contar quantas vezes vi mensagens dele indicando tutoriais, artigos ou entrevistas, talvez não consiga lembrar de nenhuma vez – de fato, agora não me lembro. Mas eu sei, por ler em seu twitter, que ele curte fotografia, cinegrafia, adora certos games e carros. Veja quanta referência! Veja que não é preciso me alienar do mundo para ser um bom profissional. Tem informação melhor que essa?
Há ainda um outro ponto muito importante nas bobagens que o twitter nos apresenta. Hoje em dia, se você não entender o que é Networking você terá dificuldades profissionais. Estar conectado com profissionais de diversas áreas é garantir que o seu talento vai ser visto e apresentado para as pessoas certas, nas horas certas. Sigo pelo menos duas jovens no twitter – ao que me lembro agora – que escrevem genialmente. Serão com certeza grandes jornalistas ou publicitárias dentro de… talvez um ano, quem sabe? Acompanhar o que lhes interessa, o que lêem, como tratam os amigos, que opiniões possuem, o que gostam ou não gostam, me permitirá “no mínimo” não ser inconveniente em um primeiro contato real com essas pessoas que poderão ser grandes amigas ou parceiras profissionais.
Então se hoje sigo um cara que trabalha na Dreamworks, será que quero vê-lo postar mensagens com artigos seus, trabalhos e coisas assim? Existem tantos meios pra isso. Não seria mais interessante deixar ele me contar sem querer que horas teve de levantar para ir para o trabalho (Dreamworks), que stress ou diversão teve lá? Como ele se enrolou com os prazos, ou ainda, quanto ele consegue se desligar de toda essa pressão ao longo do dia e se manter criativo? E com o quê? Youtube talvez.
Na minha “timeline” (termo que ainda me dói usar) existem animadores, designers, estudantes de várias áreas, jornalistas, políticos e até pessoas que lá estão apenas por quê dão boas ou engraçadas opiniões. Na minha humilde opinião, essa é a grande maravilha do twitter. Me permitir ter contato mesmo que indireto com pessoas que conheço, ou gostaria de conhecer. Ver uma linda reporter twittar “droga, minha unha quebrou antes de apresentar o jornal” para mim é a coisa mais genial do mundo, pois me mostra o quanto humanos podemos ser em nossas profissões. Se para você isso não diz nada, para mim diz que eu posso chegar em qualquer lugar que quiser, afinal somos iguais.
Inspirado sobre meu último post sobre Newton da Matta, resolvi usar esse espaço para revelar algo que nunca contei a ninguém. Dois momentos da dublagem brasileira que me marcaram profundamente envolvendo três dos maiores dubladores brasileiros em dois momentos distintos. Vamos a eles:
1.ROCKY, A LOCUÇÃO
Em 1984 a Rede Globo exibiu “Rocky, Um Lutador” e uma semana depois “Rocky II, A Revanche”. Na época eu não possuia videocassete em casa, mas meu pai trabalhava com equipamentos de som e isso me fez ter a idéia de gravar “o áudio” dos filmes. Afinal, equipamento e fitas cassetes davam em árvores na minha casa. Pode parecer muito bizarro hoje em dia, mas era um pouquinho menos naqueles primeiros anos dos anos 80 e sendo eu uma criança de 6 anos de idade. Eu vibrei com as cenas de luta de Rocky I e II e ouvi as fitas dos filmes dezenas de vezes. Mentalmente eu recriava cada cena baseado no que ouvia e assim deixava a imaginação solta durante as cenas finais de luta. Várias vezes eu lutei contra um Apollo Creed imaginário na minha frente enquanto o aparelho de som tocava o áudio daquelas lutas empolgantes, e era exatamente a locução daqueles combates o que me parecia mais excitante. A forma como o locutor descrevia a batalha entre Rocky Balboa e Apollo Creed tornava a luta algo épico, e eu ali apenas “ouvindo” como quem ouve pelo radinho de pilha o jogo de uma final de copa do mundo, me sentia eufórico mesmo após ter ouvido dez, vinte vezes cada luta.
Obviamente, após tanto ouvir, decorei palavra por palavra daquela locução sensacional. Alguns anos depois – que até podem ter sido meses, uma vez que para um garoto de seis anos meses são quase que uma vida – em uma sessão de filmes na casa de um amigo pude assistir pela primeira vez ao filme com som original, em inglês. Então tive um susto! Onde estava a locução? O áudio original não trazia locução! Como? Me sentia perdido com isso! Derrepente o luta perdeu metade da graça! Pra piorar certo tempo depois o filme foi redublado e também na redublagem nem sinal do locutor da luta. Você talvez não entenda, mas o filme realmente não possuía aquela locução. Por algum motivo a dublagem brasileira inseriu por conta própria uma locução para a luta que ficou absolutamente sensacional. Eu tenho essa locução na minha memória apenas. As fitas cassetes não existem mais. As versões exibidas na TV ou disponíveis em locadoras não as trazem mais. Mas eu nunca esqueci, pois por muito tempo o áudio era a única coisa que eu tinha desses filmes (Rocky I e II) e eu o ouvia frequentemente.
A dublagem brasileira desta vez não foi apenas impecável no seu trabalho em si, mas chegou até mesmo a criar uma nova visão sobre o filme que foi muito melhor do que o próprio filme orginal. Ainda tento encontrar aquela versão em algum lugar e espero que um dia a Internet me permita conseguir. A voz da locução eu viria a descobrir depois é do ator e dublador José Santanna.
2. ROCKY, A DISCUSSÃO
Muitos anos se passaram após isso… bom… na verdade foram três anos, mas para um garoto de nove anos, três anos são um terço da sua vida, portanto muito tempo. No início de 1986 eu vi ainda na Globo o filme “Rocky III”. Nessa época já havia um videocassete em casa, e como era de costume em quase todas as casas, nós gravávamos quase todos os filmes legais que passavam na TV para assistirmos depois. Eu tinha dezenas de fitas gravadas em modo lento, que permitia uma média de três filmes por fita. Em uma delas eu guardava – e revia sempre – “Rocky III”.
André Filho era o dublador brasileiro encarregado de emprestar a voz para Sylvester Stallone em todos os seus filmes. André, já falecido em 1997, era muito talentoso e conseguia dar uma personalidade diferente para Stallone em cada um de seus filmes, melhor até que o próprio ator. Rocky era uma personalidade quase matuta, ignorante, que falava pra dentro, e assim André Filho o fazia. Quem não curte dublagem nem se dá conta que a mesma voz acanhada e enrustida de Rocky Balboa era feita pelo mesmo cara que fazia aquela voz imponente do Superman e também a voz avacalhada do Capitão Guapo no desenho Corrida Maluca.
Na série Rocky a voz de Adrian Balboa era dublada pela competente Carmem Sheila, outra veterana dubladora brasileira. Era uma personagem tímida, meiga e insegura. Carmem conseguia passar essa personalidade na voz dublada como ninguém. Assim eram Rocky e Adrian, dois personagens inseguros que pareciam querer pedir socorro um para o outro, um caos completo.
E é aí que vem a grande transformação. Em Rocky III, em certo momento durante o treinamento de Rocky para a luta de revanche contra Cluber Lang, Adrian resolve cobrar de Rocky mais empenho e determinação. Os dois personagens derrepente se transformam e discutem visceralmente. Derrepente um Rocky matuto parece querer assumir sua posição de “Homem” e a fraca Adrian cresce e se mostra como a grande mulher que serve de apoio para aquele lutador. A dublagem nessa cena entre André Filho e Carmem Sheila é, na minha opinião, o mais marcante e lindo momento da dublagem brasileira. A transformação nas vozes desses atores naquele momento deu uma dinâmica àquela cena maior do que mesmo a cena com seu áudio original.
Pra mim, a maior dublagem brasileira na história.

De tempos em tempos surgem profissionais que são maiores que suas respectivas profissões. Eu pessoalmente posso listar alguns, acredito que você que lê essas linhas também. E o que faz um profissional ser considerado “maior que sua profissão”? Eu não sei exatamente como definir isso, mas posso tentar rapidamente arriscar que talvez seja a falta que esse profissional causa com sua saída do mercado, o buraco que essa ausência causa e aquela sensação de “insubstituibilidade”. Essa sensação é bem familiar se tomarmos alguns exemplos, por exemplo: Quem subsituiu Ayrton Senna? Acho que as corridas perderam muita da sua graça com a morte do campeão, você também não acha? Aquela sensação de que o próprio esporte ficou mais pobre. Eu tenho uma dúzia de exemplo assim e com certeza você tem outra dúzia pra contar, mas ontem me recordei de “um” exemplo em particular que chegou a me emocionar.
Pouca gente sabe, mas sou um apaixonado pela dublagem brasileira. Sim, isso mesmo, “dublagem”. Pra quem não sabe a dublagem brasileira é considerada uma das melhores do mundo. Já tive a honra de inclusive conversar com alguns dubladores veteranos que marcaram minha vida, como por exemplo o genial José Santacruz (dublador do chef Gusteau em Ratattouille, dentre muitos outros), Silvio Navas (espíritos do mal, transformem essa forma decadente em Mun-haaaaa) e Miriam Fischer (não é a mamãe, não é a mamãe), para citar alguns.
Ontem a noite estava em casa com minha mulher na sala, conversando e assistindo TV para aproveitar um pouco dos raros segundos de descanso que as crianças nos dão. Foi quando encontramos o filme “Duro de Matar 4″, com Bruce Willis. Foi a primeira vez que vi um filme de Bruce Willis com outra voz que não a do Newton da Matta. O genial e indescritível Newton da Matta foi o dublador oficial de todos os filmes com Bruce Willis desde os anos 80. No Brazil, é só você ver a imagem do Bruce Willis na TV e automaticamente você lembra da voz do Newton da Matta. É incrível como a voz dele encaixava perfeitamente com o ator em todos os aspectos possíveis, seja tom de voz, sarcasmo, ironia, tudo.
Infelizmente Newton da Matta nos deixou em 2006. Desde que eu soube disso na época, com muita tristeza, imaginei como seria ouvir as dublagens de Bruce Willis na voz de outro ator. Quem seria o substituto? Como seria? Ontem pela primeira vez e de surpresa tive a resposta. Ao contrário do que aconteceu com a dublagem de Silvester Stallone após a morte do dublador André Filho, não buscaram uma voz parecida com a anterior. O novo dublador (não consegui reconhecer quem seria) tem a voz completamente diferente da voz do Newton da Matta, mas foi aí que percebi um fenômeno que não acontecia apenas comigo. Apesar de ouvir a dublagem na voz do outro ator, a cada nova frase dita por Bruce Willis e dublada, em minha mente eu repetia a frase do outro dublador com a voz do Newton da Matta. Por mais que eu me esforçasse, em cada nova frase eu insistia em repetir mentalmente como seria a mesma frase dita por Newton da Matta. Em certo momento pro meu espanto cheguei a ter a impressão de ter realmente ouvido a voz dele. O incrível é que não era algo apenas comigo, já que minha mulher comentou expontaneamente que estava tendo essa sensação, e olha que ela não é fã de dublagem como eu.
Esse fato me fez refletir sobre isso, sobre um profissional ser maior que sua profissão, ser absolutamente insubstituível ao ponto de recriarmos a presença dele mentalmente. Newton da Matta, amigo meu e de toda uma geração que cresceu ouvindo sua voz em personagens de desenhos (The Flash, Thundercats) e filmes (Bruce Willis, Dustin Hoffman, Mickey Rourke, etc). Descanse em paz. Você por aqui jamais vai ser esquecido.
Meu negócio é definitivamente animação. Eu fico babando pra alguns trabalhos de modelagem que vejo pela web, mas quando sou eu que tenho que fazer algo, nada dá mais prazer do que animar. Modelagem? Só por obrigação e falta de opção, mesmo assim, dou preferência ainda ao estilo Cartoon. Porém, vez ou outra me pego tentando algo diferente, um pouco mais puxado pro realista, enfim. Tá aí um desses trabalhos totalmente off-style pra mim, mas que tá sendo legal de fazer.
I definitly do prefer make animations. I use to stay impressed about some modeling stuff founded on web, but when are me at work, nothing might give me more pleasure than animating. Modeling? Just for duty and when I have no other option. Even so, I still prefer to do it in cartoon style. But, sometimes I keep myself trying to do different stuffs, maybe a little bit more realistic style. This WIP here is one of them, completely off-style to me, but funny to do.
Quem nunca animou um dragão em 3D que atire a primeira pedra. Tive algumas boas idéias mas a preguiça bateu mais forte, então resolvi apenas fazer uma animação simples de pouso. No fim o resultado é sempre divertido. O legal é que o render foi feito em scanline no max com apenas duas luzes, e em seguida um outro render foi feito com skylight e lighttracer pra dar uma simulada no ambient occlusion. O tempo total de render pra tudo foi de cerca de duas horas e meia, bem legal pro meu equipamento meia boca.